Igualdade em Marte

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

A imensidão do seu olhar

Eu vi o alvorecer
Vi o sol nascer
Vi a luz se interpor sobre as árvores
Paisagens indescritíveis!
Mas, de repente, me afastei
e vi que todo esse mundo morava no seu olhar
E que ali repousava o mais doce luar
Olhei para as nuvens alvas
Para as roseiras e girassóis
E novamente vi seu olhar
Afinal era nele que adormecia a desenfreada paixão
Que palpitava energicamente no meu coração
E bastava encontrar a faísca da sua íris
Que o mundo se encolhia na imensidão do seu olhar.

Vidro

Era só vidraça.
E não importava o quão latente fosse
Era só vidro
Vidro que caia das alturas
Perfurava os olhos
E cegava o coração
Não importava quão reluzente fosse
Era vidro
Reduzido a cacos
Reduzido ao que cabia no que chamávamos de nós
E a cada passo de proximidade
O calcanhar sangrava
Era um caminho de dor
Mas insistimos veementemente em dar o nome de amor
Eram cristais
Eternizados em memória
Penetrados na pele
Ligeiros na superfície
Porém , infinitos nos ínfimos átomos de areia
Infinitos pra uma história que espero que algum dia você leia.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

A revolta da ansiedade

olhos fechados
mãos amarradas ao vento
sentidos dispersos
nada motivava o intento

para cima pouca luz
debaixo dos pés
sem chão
a luz imergia na escuridão

o ar permeava o ambiente
mas não entrava nos pulmões
ali se estabelecia a vacuidade
o inundar da insanidade

a cabeça tumultuada
veloz como a propagação da luz
e dolor como no pregar da cruz

incurável
insaciável
totalmente
danificável
por uns segundos
até os olhos se abrirem novamente
o vento soltar as amarras
e o sentidos tomarem seu curso
até encontrarem logo o caminho de volta
para o que em sua profunda ignorância chamavam de a grande revolta